23.10.05

o último reduto

Só em sonhos, só à espera do fim.

It’s out there
If you want me, I’ll be here
I’ll be dreaming my dreams with you
And there’s no other place that I’d lay down my face
I’ll be dreaming my dreams with you

21.10.05

ironias do destino

Vá lá! Tu sabes que eu gosto de surpresas e nem lido mal com mudanças, mas estares constantemente a pregar-me partidas destas também cansa.
Que tal uma folga? Olha que a minha capacidade de encaixe já não é o que era e o mau feitio vem ao de cima mais depressa do que era costume...
Posso carregar na pausa e deixar o coração de molho? À confiança?

20.10.05

humm...


Saint Exupery's 'The Little Prince' Quiz.

Pois é, eu bem sabia que alguma coisa não andava a bater certo: falta-me o brevet!

19.10.05

'a minha pátria é a língua portuguesa'

Sorriste-me do fundo de uns enormes olhos azuis e disseste a medo «sou fármaceuta, sou ucranía». À tua voz juntou-se um tom mais grisalho «istou quasi na réforrma e quérro viver em Pôrtugal».
Vieram dos quatro cantos do mundo. Vieram pela aventura, porque se apaixonaram, porque fogem. Vieram em missão, curiosos, compenetrados, desconfiados. Vieram, simplesmente, para aprender.
Pedem-me poemas de amor, receitas, música, um bocadinho de história, uns pós de arte, direito, economia «falar depressa e correta»
A todos vós:

Li_Amy_Zhu_Olena_Paulo_Reuben_Fan_Gaelle_
Mun_Jonas_Liu_Marco_Michel_Rosaura_Yang_Claudia
_Erin_Ingrid_Li_Natalia_Mao_Raquel_Sayaka_Tanula_
Aurélie_Victoria_Shen_Benedikte_Ng Kuok_Michelle

Obrigada pelas primeiras lições que me deram.
Tudo o que sou, tudo o que sei, é agora também vosso.

18.10.05

Nos meus dias de menina ruim irrita-me que tenhas superado tudo mais depressa do que eu. Melhor ainda: irrita-me que tenhas sido tu a decidir o fim, e a mim, para não variar, coube-me a coragem autoflagelante do decreto, que isto da distribuição de tarefas em casal também tem muito que se lhe diga.
Irrita-me. Sou vísceras e entranhas.
Nos meus dias de menina sensível magoam-me os esforços e empenhos que entrevejo desse lado do mundo que passou a ser o teu. Magoa-me a inversão súbita de papéis, o absoluto desamor.
Magoa-me. Sou emoção à flor da pele.
Nos outros dias, os que sobram da visão concentrada num umbigo que nem sempre tem história, a paz chega e sente-se em casa.
Fica o pedido expresso, a encomenda feita e já com portes pagos: que venham mais destes últimos!

meu pai

Sonhador.
Optimismo feito homem.
Apoio constante.
Ternura que nunca se esgota.
Exemplo.
Sorriso malandro.
Trabalhador incansável.
Refilão.
Pedra basilar.
Cúmplice.
Alegria diária, honesta, pura.
Fonte de energia.
Amor.

São estas as palavras que te fazem.
Hoje o dia é teu: Parabéns Pai!

17.10.05

que assim seja

Há três dias que não consigo despir o sorriso que tenho estampado na cara.
Há três dias que é impossível que o meu coração escureça.
Pequenos passos, como sempre.

14.10.05

olhai os lírios do campo


Pelo Teu amor,
Pelas Tuas graças,
Por me mostrares todos os dias que se for livre na Tua vontade, isso me basta,
Obrigada.

13.10.05

curiosidades

Vale a pena ler o que diz a vieira do mar sobre blogues femininos vs blogues masculinos.
Vale mesmo muito a pena ;)

O Lugar da Casa

Uma casa que nem fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.

Eugénio de Andrade

sentido_pequenos passos_eu_vontade_medo_ calor_ vocês_casa

12.10.05

mais forte do que eu

Pronto, confesso: acho que fiz uma asneira… acho eu… deve ser asneira porque estou com aquela falta de ar típica… raio de organismo este que responde a tudo!
Podia ter partido um prato (enfim, este mês já foram dois, não tarda há manif familiar…), podia ter mentido, sei lá, qualquer coisa assim de comum. Mas não: disparate que se faz, há-de ser bem escolhido, com repercussões duradouras, peso na consciência e a maldita falta de ar.
E assim me confesso ofegante sem lanço de escadas: mea culpa.

11.10.05

truques

Meto a chave à porta e abro devagarinho, a tempo de sentir as duas voltas e perceber que a casa está vazia.
Sabe-me bem entrar, respirar fundo, deixar o casaco aqui, atirar os sapatos para debaixo da cama e colar-me à janela, luzes apagadas, a ouvir a chuva mansa lá fora. De vez em quando acerto o meu tom à torrente do céu. Deixo-me escorregar até o frio do mármore me arrepiar as pernas nuas e espero, meia escondida, meia acordada, que o recorte da tua mão me venha afagar os cabelos.
Nos dias em que o som dos teus passos é mais rápido que o beijo prometido sinto o peso das horas na nossa vida: quanto tempo temos ainda que gastar antes de nos encontrarmos?

10.10.05

password

Basta um sorriso: rápido, descomprometido, inocente.
Eu sustenho a respiração e acelero-me em descompassos.
Não sabes que estou aqui, pois não?

Boa noite meu amor.

8.10.05

apostar-me

Foi a saudade do teu braço
e o olhar que já da tua luz me dói
trabalhei sem dar pelo cansaço
horas extraordinárias, foi
um dia que passou num furacão
um furacão que se amainou, só
quando aparte o amor eu me vi só
atirando a moeda ao ar
diz-me que cara ou coroa eu vou ganhar
diz-me quanto eu fiz bem em me apostar
e que bem fiz em ter por necessárias
as horas extraordinárias

E assim que volto ao meu lugar
reencontro com dor e prazer
o coração que fiz falar
à máquina de escrever a ver
ela a dar corda à máquina de amar
e um coração a se amainar só
quando aparte o amor eu me vi só
atirando a moeda ao ar
diz-me que cara ou coroa eu vou ganhar
diz-me quanto eu fiz bem em me apostar
e que bem fiz em ter por necessárias
as horas extraordinárias


Esta noite, aos primeiros sons da viola não houve fuga com um boa noite dito no correr da pressa.
Não me encostei ao jipe a olhar para as estrelas.
Não chorei.
Hoje adormeço no Teu abraço e prometo que não me volto a esquecer de dar corda à máquina de amar.

7.10.05

Takk


_hipnotizada_viciada_encantada_emocionada_rendida_
entregue_iluminada_grata_

mar

Vontade de te contemplar, serenamente, quase em segredo.

Está na hora, não está?

6.10.05

aprendizagem

Aprendi a falar de mim de uma forma quase desarmante. Poucas reservas e muitos desabafos. Aprendi-o porque vos tive por perto com vontade de ouvir. Porque de tanto me repetir percebi que já não me convencia a acreditar numa verdade racional - era preciso senti-la.
Hoje, por uma vez, o coração ouviu o que lhe disseste. Ouviu com atenção, respirou fundo, suspirou, encolheu os ombros e acabou a sorrir.
Num flash tudo fez sentido, sem ser preciso ir desencantar lugares-comuns que metam o tempo ao barulho.

5.10.05

«A memória é uma paisagem contemplada de um comboio em movimento.»

O livro que me tem enchido os olhos nos últimos dias despejou-me esta frase no colo com quase tanta força como o título que me fez pegar nele e trazê-lo para casa: 'O Vendedor de Passados'.

Nunca venderia o meu, mas confesso que às vezes gostava de conseguir domar o comboio a meu bel-prazer... acelerar a fundo nas curvas mais dolorosas, em jeito de Alfa-Pendular que pára de quando em vez, e deixar-me ser um Regional profundo, apeadeirístico e lento, quando as recordações não me atraiçoam o coração...

Gostava mesmo!

3.10.05

acredito, profundamente...

...que o mundo está cheio de pessoas BONITAS!

:)

1.10.05

coisas que não interessam a ninguém

Gosto muito do mês de Outubro mas para ser perfeito perfeito, devia estar um bocadinho mais de frio, que já me vai fazendo falta o quente de uma caneca de chá nas mãos.

29.9.05

dúvida existencial

Como iogurtes de cenas que também servem para lavar o cabelo...
Lavo o cabelo com champô de frutas...
...
...
...
Estarei a abichanar?

28.9.05

Do início. Volto para trás. Os acordes são absolutamente familiares. A letra ainda não, como sempre. A estranheza inicial de um balbuciar titubeante e sôfrego afasta o que ouço do que trauteio. Insisto. Já está em mim, agora é inevitável, é uma mera formalidade aprender-lhe as manhas da linguagem. Insisto. Faz-me bem ouvir-te. Acompanhas-me, dizes-mo sem rodeios, e eu acredito. Assim, de forma simples, como deviam ser todas as coisas realmente importantes.
Não gosto que a música doze comece e sou mais rápida que o futuro. Apaziguo-me. Respiro fundo. Sei que esta ainda não é a minha paz, mas é bom deixar-me envolver.

26.9.05

a gerência deseja-vos uma óptima semana

A vida é a arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida.

(roubado com desfaçatez ao mestre Vinicius e à vieira do mar)

25.9.05

as palavras desejadas (?)

I remember thinking
Sometimes we walk
Sometimes we run away
But I know
No matter how fast we are running
Somehow we keep
Somehow we keep up with each other

...
Do what you will, always
Walk where you like, your steps
Do as you please, I'll back you up

24.9.05

mysterious ways

coragem_exemplo_sonho_persistência_horizonte


Para mim, o dia passou-se em sorriso.

Pela tua amizade, por tudo o que tenho que te agradecer neste 'mundo de silêncios que é o nosso'.

Para ti, que seja o primeiro dia.

22.9.05

21.9.05

equinócio

Último dia de Verão, o fim anunciado da silly season, das cores, dos corpos, dos risos altos.
Penso e repenso na conversa desta manhã, na clareza com que me disseste que às vezes, quase que por defeito do nosso percurso, vivemos mais numa cultura da insatisfação do que da exigência.
Será? Não sei o que mais me amedronta: concordar e perceber que o contentamento não tem que ser necessariamente algo de negativo, ou fincar o pé e continuar à deriva…
Mudo outra vez de pele, porque quero, porque preciso, porque na minha fragilidade sinto o reconforto dos gestos insignificantes com que me dou ao mundo.
E estou cansada. Não sei exactamente de quê, mas incomoda-me esta sensação permanente de dolência. Hoje é o último dia, gostava de dizer. É mesmo o último. Sem promessas de mudança, propósitos ou juras. Só o último dos que passaram, para que amanhã possa acordar no primeiro de todos os outros.

20.9.05

shame on me

Estar à beira do precipício é sentir-me num estado melancólico de algibeira e pensar...

- O que é que me animava agora?
a) tomar café com um amigo;
b) ir ao cinema;
c) comer qualquer coisa com MUITO chocolate;
d) comprar uns sapatos.

...bater no fundo é optar pela d)

Eu tento, eu juro que tento, mas é mais forte do que eu e nunca funciona.
Prendam-me em casa, amarrem-me as mãos, roubem-me a carteira, mas tenham a bondade de me auxiliar e, sobretudo, não me perguntem por quantos estados melancólicos destes eu tenho passado nas últimas semanas...

19.9.05

quase retórica...

Em jeito de cacto infiltrado no canteiro de hortênsias azuis, será possível que no meio de um estado de serenidade, ande a crescer, mais depressa do que se imaginava, uma subtil e desconcertante inquietude?

16.9.05

Tenho frio nos dedos dos pés.
Só ainda não percebi se é o meu corpo que recebe o Outono pelas extremidades, ou é apenas a falta do teu calor.

15.9.05

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

in Passagem das Horas, Álvaro de Campos

Encontramo-nos daqui a nada.
1 beijo e um abraço apertado

13.9.05

Baralhei e voltei a dar. 9 meses depois. No tabuleiro virado pelo chão não sobrou nenhuma peça... e ainda bem.

Baralhei e voltei a dar. Sem pressas, até não haver mais cartas.

Sorrio mais e mais, digo que sim, abraço com força, choro sem vergonha.
Na cabeça, um refrão de palavras re-ouvidas a fazerem todo o sentido: é preciso largar para amar melhor, é preciso largar para encontrar a felicidade.

Baralhei e voltei a dar. Larguei mais do que esperava. Cortei amarras, guardei os portos seguros e abri um novo mapa, desta vez sem rotas traçadas.

Baralhei-me. Voltei a dar-me.

6.9.05

NEXT STOP!

E se antes da próxima estação eu parasse na casa da partida?

interlúdio

(nunca pensei acordar tão contente por ver chuva!)

Olá. Chamo-me Joana e estou aqui hoje porque sinto.

Não há memória de ter havido uma bruxa na família, e ainda assim sou terrivelmente premonitória. Fujo a sete pés de pisa papéis estilo 'bola de cristal', não vá a tentação apoderar-se de mim, sou 'étnica qb', nas palavras da minha querida mãe e tempos houve em que o fascínio da saia a arrastar pelo chão foi grande. Fiz uma cura com doses regulares de pragmatismo (manhã e antes de deitar, com um grande copo de água), mas esqueci-me de ler os efeitos secundários.

5.9.05

tenho medo

Às vezes pergunto-me por que serei tão tola, tão infantil, tão sugestionável... Que raio de feitio este que me repete consecutivamente: 'és feliz, és feliz, és feliz' e desconcerta-me a cada passo, como se todas as minhas decisões fossem um teste e a felicidade que sinto ser minha não passasse de um contentamento pobrezinho, uma alegriazeca momentânea e inconsequente.
Dia errado o de hoje. Encontrei-me com quem não quis, recebi mensagens que não me encheram o coração, senti-me fora da minha pele, patinho feio e inútil. Disparatei para dentro e para fora e consegui chegar à noite a sentir-me triste. Persegue-me a sensação do comboio que seguiu sem mim, e era o último. A Joana racional salta logo em defesa do porto seguro das convicções: refila, argumenta com lógica, expõe todos os pontos de vista com clareza e discernimento. Finda a retórica, sobra o mais fundo de mim, o tal líquido avermelhado no fundo do frasco de vidro. Vê-se à transparência, mas não se identifica logo. Salve-se por esta noite o invólucro e pode ser que o líquido não evapore.

2.9.05

arrisco

'Nem sei o que me aconteceu
Por que calhou ser eu
A ter no barco alguém que eras Tu
Só sei do antes e o depois
Do antes sensato e o depois a Teu lado, peixe meio-alado a voar... no fundo do mar'

31.8.05

muda de vida

Renovada e revelada ouso dizer e repetir para mim mesma aquele que tem sido o mote deste ano:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
(...)

Luís Vaz de Camões

30.8.05

'Passaste e segredaste-me: - Vem!'

Escrevo sobre aquilo que sei à partida que não conseguirei contar. Escrevo de coração cheio, profundamente agradecida e pacificada. Escrevo com um enorme sorriso na cara, as mãos cheias de pequeninos golpes, o corpo cansado e feliz.
Sinto que pela primeira vez na minha vida a entrega foi total. E da entrega veio a dádiva imensa das cumplicidades, do serviço, da partilha de um projecto, de espaços em comum, angústias, silêncios tantos. Na gratuidade que só aqui reconheço, estreitei laços nos passos que dei em volta de Ti, porque de mim fazes parte.
Não contei as estrelas do céu, nem as chamei pelo seu nome, mas percebi que só assim faz sentido.
É este o Teu caminho e é por aqui que quero caminhar.

18.8.05

fechei o tasco

para balanço
para férias
para o que der e vier

Regressarei no final do mês.

17.8.05

28

Tentei não pensar, mas é inevitável... Há dez anos passei o último aniversário com o meu avô. Desde então, idade dita adulta, passeei esta data por Santiago de Compostela (e como me lembro de cantarmos nas escadas da catedral!), pelo calor de Santo Antão, a minha querida Oxford, Reriz perdida no fim do mundo... Passeei a data, as pessoas, os sonhos, os amores, os projectos. Passeei-me a mim mesma. Acreditei na verdade dos meus gestos e fui-me fazendo pessoa.
Gosto do número redondo que ganhei hoje.
Quero, muito, ser feliz.

15.8.05

14 de Agosto de 2005

Não consigo explicar o que me andou a passear ontem da cabeça para o coração e do coração para a cabeça.
Senti-me única, especial e ao mesmo tempo tão pequenina na imensidão que é só Tua.
Obrigada por me fazeres acreditar que a dúvida também é rumo.

Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come fiume
Come fiume...
L'amore giunger
L'amore...

Miss Sarajevo, U2

12.8.05

alive and kicking

Depois de mais uma contradição de mim mesma, de um dia cheio, de um Baileys nocturno para comemorar a resolução do dia, de uns quantos bocejos de incompreensão e de uma noite de sono descansada, acordei cheia de genica (ainda que o termómetro do carro insista em não descer dos 40º...) e a sentir-me de bem com a vida.

:)

11.8.05

recomeço

Ontem adormeci a chorar. Talvez porque os meus joelhos não gostem de dias de chuva, talvez porque ainda estivesse a ressacar da paragem de digestão da véspera, talvez por ter visto uma série de televisão excelente para o puxar da lágrima... ou talvez não, como diria a princesa dos olhos azuis.
Adormeci feliz e amedrontada. Adormeci perdida, sem norte nem porto seguro, com a imagem da folha em branco, palavras claras, a bailar-me no espírito.
Diz-me um querido amigo que o futuro foi já ontem, ali no virar da esquina entre o amor e o desafio da relação. Digo-lhe 'nim', sorrio, e deixo-me embalar.
Hoje é mais um daqueles dias em que me sinto a pairar por aí. Insisti, consegui, desisti porque deixei de acreditar, porque o mais fundo de mim prefere o trapézio sem rede.

'A vida é tão rara. A vida não pára...'

9.8.05

coisas que me fazem bem (2)

Estar de janela aberta para o jardim em pleno mês de Agosto e sentir o cheiro bom a terra molhada que vem lá de fora.

coisas que me fazem bem (1)

Ligar o computador mal acabo de chegar à editora, sacar a classicfm dos favoritos e começar o dia a ouvir a Pastoral.

8.8.05

?

Falei dele este fim-de-semana, personagem de livro que não me fascinou, talvez por isso mesmo, por não O conceber confinado em meia dúzia de páginas com cheiro a exotismo. Senti-O nos sorrisos que me acompanharam, nas saudades, nas imagens que me encheram os olhos e me tranquilizaram.
Não percebo como, ultrapassa-me, transcende-me, desorienta-me, mas no meio de um ano tão cheio de mudanças, continuo tranquila. Espero, com um nó no estômago, o coração pequenino e vontade de ter colo. Não cruzo os braços nem me desespero em ansiedade, espero apenas.

5.8.05

ora bem, ora bem...

Temos o país a arder e um fim-de-semana pela frente que se queria campestre qb: andanças pé-de-chumbo lá para os lados de S.Pedro do Sul, Sendim e um longo caminho pela frente ou alternativas com cheiro a mar, não vá o diabo tecê-las?

4.8.05

hoje é dia de...


Vermeer

RAPARIGA COM BRINCO DE PERÓLA
às 19h18, no Jardim Botânico, pelos Fatias de Cá

O romance foi uma surpresa boa de uma autora, para mim, até então desconhecida: Tracy Chevalier.
Do filme guardei, estranhamente, mais imagens sonoras que visuais.
Vejamos a peça, e que os 40 graus de hoje não estraguem o espectáculo!

3.8.05

no gira-discos...


Leslie FEIST

Um mix urbano a lembrar Kings of Convenience, Lisa Ekdahl e Aimee Mann.
Muito bom.

E agora?

Agora, sorrio às ironias da minha vida, ao rir de palanque, à plateia que aplaude as convicções pés-de-barro do ‘nunca mais vou por aí’.

Agora, vivo.

é também por isto que a retórica me fascina…

In a manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don’t understand
How love in silence becomes reprimand
But the way I feel about you
Is beyond words

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won’t do
In this life that we live
We only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrificed
So in a manner of speaking
I just want to say
That like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing

Oh give me the words
Give me the words
That tell me nothing
Oh give me the words
Give me the words
Give me the words
Give me the words
Give me the words

Winston Tong

2.8.05

Feeling quite musical am I :)

Hoje é dia de...
wim_mertens_classicfm_ludovico_einaudi_coldplay_nouvelle_vague

Tenho a comunicar que o balanço de final de manhã deu-me um empate entre o amigo Wim com 'And bring you back' e o 'Love will tear us apart' na versão bossa nova.

Aceitam-se votos, comentários e preferências.

norte

Roubando o (des)norte a um moinho de sonhos, quero ter o direito de me contradizer… todos os dias, se preciso for…

Assim vou andando e sentindo neste querer ser árvore ou outra coisa qualquer que tenha pé no chão e raiz bem sulcada na terra, e umas folhas esvoaçantes por aí, a andarilhar, a ver o mundo, a ser mais com ele e por ele do que a pequenez do meu quintal.

Agarras-te à hora
Em que o tempo não passou
Mergulhas nas cores
Que a loucura te emprestou
E quando te vês para lá do espelho
Encontras a solidão

Descobres o Mundo
De quem tem pouco a perder
E sobes às estrelas
Que ontem não podias ver
E perdes o medo de estar só
No meio do multidão

Tradições
Atrás de contradições
Fizeram-te abrir os olhos
Podes dizer:
Eu... sou


Jorge Palma

1.8.05

Sinto-me…

…com um brilhozinho nos olhos,
…com o coração pequenino,
…com um sorriso fácil na cara.

Não me interessa que o dia esteja feio, que não haja sol e que as minhas férias estejam à distância de uns binóculos…
Hoje, sinto-me simples e descomplicadamente feliz.

29.7.05

visões

Ando a precisar de lavar os olhos.
Literalmente.

26.7.05

Tenho-me lembrado das minhas viagens. Não das estadias, dos lugares ou das pessoas. Nem sequer dos momentos, só das viagens em si, do caminho que é necessário percorrer para a passagem de um local para outro. Por inúmeras razões tenho viajado bastante sozinha. Carro, comboio, autocarro, ferry, avião e um sem número de percursos, mais ou menos repetidos.
Dei por mim a fazer contas à vida e os últimos oito anos foram pródigos em quilómetros. Cada quilómetro recheado de música, de pensamentos, e, acima de tudo, de muitos olhares. Descobri que gosto de viajar sozinha porque ter tempo para olhar é um privilégio. Gosto de me sentar à espera de um voo e deixar-me envolver pela vida dos outros, bem camuflada atrás do livro que vem sempre comigo e que me empurra, ele também, para outras vidas. Gosto de passar pelos mesmos lugares em diferentes alturas do ano e em diferentes horas do dia. Gosto de reconhecer curvas e identificar as mudanças. Gosto da expectativa do novo quando o destino é desconhecido, e do desejo do abraço e do reconforto de um regresso ou de uma espera.

Ficar? Voltar? Partir?
Sinto que nunca vou saber a resposta… nem sei se quero…

25.7.05

alvoroço

(resumo dos últimos dias)

Sonoro e sentido.
Poder ser de dentro para fora e de fora para dentro.

coração_madalena_pele_futuro_surpresa_medo_
reviravolta_mansidão_tu_entrega_
cores_eu_mergulho_palavras_partida_branco_vida

21.7.05

coisas em que não acredito (1)

- Produções independentes;

- Rimel que aumenta o volume das pestanas;

- Prazos de validade;
...

20.7.05

coçadelas

Prurido [prurídu]. s.m. (Do lat. pruritus). 1. Sensação que se experimenta ao nível da pele ou numa parte do corpo, que provoca o desejo e a necessidade de coçar…

Estou, basicamente, cheia de comichão, carregada de borbulhas incómodas e inestéticas que não ficam bem de vestido, não gostam de morangos à sobremesa nem confraternizam com ácaros…

(isto dá uma irritação que não vos digo nem vos conto…)

Paciência com a je nos próximos dias e o mercuriocromo promete um regresso estival em pleno, longe do efeito sonolento-lamechas do Zyrtec.

Na dificuldade em perceber por que razão só o desconhecido conforta, faço do amor a minha arma de arremesso e deixo de temer a vertigem.

Passos pequenos demais para um salto que se queria longe? Quem sabe…

da noite

Prometi a mim mesma que ia chegar a casa cedo, sentar-me ao computador e organizadamente preparar a aula de amanhã sobre o uso do conjuntivo.
Dei por mim deitada nos telhados a olhar mais para o pólen do que para as estrelas, a rir-me do verde das nossas mãos cansadas de trepar as grades, a gozar a sensação de interdito já fora do prazo.
O conserto ficou prometido, ainda que faltem as peças ou que não tenhamos coragem para as ir procurar.

Amanhã, o dia é melhor.

18.7.05

fim do dia de hoje

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem

Sophia de Mello Breyner Andresen

17.7.05

sentido

«Ter um sentido para a vida é passar a vida, continuamente, em busca dele.»

Palavras ditas esta tarde, pelo Filipe, lembrando um filósofo grego.

Parece paradoxal. Parece frustrante e pouco compensador. Parece a certeza da eterna insatisfação. Mas ao mesmo tempo, e de forma estranha, é apaziguador. Afinal não sou assim tão estranha por continuar à procura... talvez seja este o segredo: gozar a busca do sentido maior vivendo as pequeninas coisas na sua inteira plenitude, porque só da parte nasce o todo.

Em todos os sentidos.
Com todos os sentidos.

ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

15.7.05

um ano depois

Faz hoje um ano que abri a porta.

Com uma precisão quase cirúrgica, um ano que se divide, que me divide, meio cheio, meio vazio, partido ao meio, claro escuro.
Faz hoje um ano que por razão nenhuma me sentei aqui e brinquei às palavras.
Já houve amuos, desistências, surpresas, mudanças de visual, encontros, descobertas e desencantos.

Continuo por cá, sem prazo, enquanto fizer sentido.

A este sítio, agradeço o regresso à escrita.

13.7.05

could you please repeat?



When you try your best, but you don't succeed
When you get what you want, but not what you need
When you feel so tired, but you can't sleep
Stuck in reverse

When the tears come streaming down your face
When you lose something you can't replace
When you love someone, but it goes to waste
Could it be worse

Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you
High up above or down below

When you're too in love to let it go
If you never try you'll never know
Just what you're worth
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try to fix you

Coldplay

12.7.05

amazing grace

É ver o teu sorriso de mãe-menina logo pela manhã e dar-te um abraço apertado - Parabéns!

É receber tanto de quem sinto que não me deve nada (e dever é uma palavra feia, bem sei, mas é assim que as coisas são...)

É entregar-me à vida.

7.7.05

angústia

Há duas noites que mal durmo. Ando angustiada. Preocupam-me mais as decisões daqueles que amo do que as minhas. Não sei se é bom ou mau, sei que sofro com isso. Sinto-me incapaz de transmitir força, de falar de coração aberto, de confessar (olhos nos olhos) o medo da distância, da partida, da solidão, da perda, da dúvida, sem me achar estupidamente egoísta.
Sinto-me a pairar.

6.7.05

«o cume do coração»

Título roubado. Não me importa. Gostei do eco que fez em mim: o cume do coração. Da planície terra-a-terra é um longe assustador. Qualquer coisa maior e uma escalada até lá chegar acima.

5.7.05

passar os dias a verso


Fatima Ronquillo

Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
– mãe, dou-lho ou não?

Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
– mãe, dou-lho ou não?

Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
– mãe, dou-lho ou não?

Eugénio de Andrade

da bela língua

Se o vazio não tem peso, como é que pode ser insuportável?

4.7.05

às voltas do mundo

É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

Nuno Júdice

2.7.05

Tarefa do mês:

- ligar o descomplicómetro.

30.6.05

Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-no especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

pó de giz

Amanhã quero ter um sorriso aberto.
Quero reaprender a falar devagarinho e com as sílabas todas (sobretudo as últimas, átonas por excelência e que nunca se ouvem).
Quero dar as boas-vindas aos olhares que ainda não conheço com tanta verdade, que na tradução simultânea que só o gesto consegue ter, se ouça: estou aqui para vocês.

27.6.05

até

Sou lágrima fácil. Assumo. Fiz um esforço grande para não me debulhar quando o Anakin Skywalker se assumiu pelo lado negro da Força e renasceu Darth Vader. Marejam-se-me os olhos quando ouço versos de Camões no novo anúncio da PT ou quando me deixo embalar pelo Clair de Lune.

Fui lágrima fácil porque ontem me disseram que era uma menina muito especial. Ouvi-o com ternura, acreditei. Disseram-me que era uma boa menina. Tentei acreditar, talvez seja... tenho dias... enfim, dei-lhe o benefício da dúvida mas chorei de mansinho porque percebi que a tristeza profunda pode ser libertação.

E entre as minhas mágoas doridas lembrei-me de uma tirada final da Carrie Bradshaw no Sexo e a Cidade, que de tão óbvia puxou a lágrima fácil: quero e tenho o direito de ser amada por inteiro.

De ti para mim, de mim para ti, até que o nós exista.

26.6.05

rosas, rios e manhãs claras

Não houve versos urgentes como este nos últimos dois dias. Não houve nada de incrivelmente novo, fantástico ou avassalador. Os dias existiram. Assim. Houve o primeiro mergulho no mar (quente!) deste ano. O conhecer a doçura das pessoas importantes para pessoas importantes da minha vida. Um café de fim de tarde para ter mais uma vez a certeza que me conheces bem demais e a serenidade com que ouvi estas palavras: uma relação é amor se nos dignifica.

25.6.05

TIME OUT

21.6.05

desurbanidades

Deitar-me de costas no chão. Uma camisola grossa. Acender um cigarro. Passar esta noite a olhar para a lua brutal que está lá fora. Em silêncio. Em conversa.

Vens?

20.6.05

pois

Ele há dias em que a vida precisava mesmo era de um serviço de tradução e legendagem.
Tenho dito.

19.6.05

não havia necessidade...

Uma menina sorridente e impregnada de ar profissional apressou-se a explicar-nos à entrada do balcão:

«- A vossa fila é a K. É simples: sobem as escadas e vão seguindo as letrinhas, que estão por ordem alfabética, o K está lá para o meio. Depois é só seguirem os númerozinhos.»

17.6.05

revelação frutífera

(com uma taça cheia de caroços à frente e olhar guloso)

As cerejas são como as pessoas: cristalizadas não têm graça nenhuma.

retrato


Adaptado do cartaz do 6º Salão de Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada

menina_pé-ante-pé_boneca_anjo__voo_parafusos_terra_chão_asas_olhar_longe

15.6.05

só tu

Seguras-me na mão. Desenhas-me uma festa pelo cabelo e dizes baixinho: '- Já passou'

Procuro os teus olhos. Encontro-os depressa e posso serenar antes do sono profundo: estás comigo.

Acordo-te de noite. Não contenho o soluçar. Entras sem acender a luz. Sentas-te à beirinha da cama e abraças-me em silêncio.

Se eu poisar a cabeça nos teus joelhos, promete que me sussurras ao ouvido: '- Vais ser feliz!'

13.6.05

mais perto

«Ou damos o que temos, ou deixamos apodrecer.»

As palavras são da Madre Teresa de Calcutá, pela voz do Nuno. Num fim de tarde apaziguador reencontrei um bocadinho do silêncio que me andava a fazer falta. No dia em que o meu poeta maior se despediu, senti-as mais verdade do que nunca. Dar o que temos cá dentro, o que temos de material, o que sonhamos. Dar testemunho. Dar descaradamente, com toda a lata e desfaçatez que tantas vezes não ousamos sequer experimentar. Dar porque sim, porque só assim faz sentido.

Adeus


Há quase um ano abri este blog com um poema teu, 'o' poema.
O sorriso que me tem acompanhado nos últimos anos, que sei de cor, que escrevo vezes sem conta só para olhar para as palavras que saíram de ti e já são tão minhas.
Hoje de manhã, quando soube que já não estavas entre nós, fiz o que me ensinaste: sorri e deixei que a porta se abrisse mais um bocadinho.

Obrigada.

12.6.05

sem comentários

Pior do que a neura dominical, causada única e exclusivamente pelo facto de ser domingo, é abrir a janela e ouvir a música da carrinha da Family Frost...
Confesso que nestas coisas sou mesmo primária: que irritação!

10.6.05

ralações


The Book of Bunny Suicides, by Andy Riley

...ou o que me apetece fazer quando a dor de cabeça ataca e o migraleve acabou.

9.6.05

olhó fim-de-semana fresquinho!

é fruta ó chocolate!
é pró menino e prá menina!
é filosofia de ponta!

8.6.05

jantares de Verão

- 1 fatia de queijo Feta
- 3 tomates chucha
- sal qb
- muitos óregãos
- um fio de azeite
- vinagre balsâmico

Se fechar os olhos entre duas garfadas, arrisco-me a voar para um sol com casas brancas enfileiradas entre os azuis do céu e do mar...

sou mesmo eu?

Dizer que sim à primeira... pensar depois, e continuar com vontade de dizer sim.

7.6.05

margarida


Hoje, no teu dia, faço minhas as tuas palavras: QUERO-TE BEM!

Sussurras-nos aos ouvidos com o quebrantar de voz que é tão teu. No embalar do carro já é noite e há uma ponta de melancolia entre todos. Há silêncios, há o fumo do cigarro pontual, a viagem que corre sem pressas, o sono de um dia. Mais um. Amanhã vai estar calor outra vez. Vou lembrar-me de tudo, de todos os exemplos com que me vais apontando o caminho sem dar por isso. Conheces-me bem as manhas. Só lá vou com o exemplo, não é? Nada de teorias... Ver para crer. Quem está de fora é que vê a diferença... Será mesmo? Tu nem vais dar por isso, confia em mim... De olhos fechados? Sabes confiar de outra maneira? Não. Então de que é que tens medo? Tenho mesmo que te responder? Talvez já esteja na hora de saberes a resposta... E se eu ficar triste com o que descobrir? Estás a andar à volta de ti mesma e continuas sem me responder... Desculpa... Dá-me a tua mão. Levas-me contigo? Queres vir? Onde vamos? Não sei... escolhe tu agora.

5.6.05

Alvará

No rescaldo bom de um fim-de-semana que adormeceu e acordou de olhos postos no mar, ficaram a cumplicidade dos medos, da solidão, da dúvida: virá?

Virá
Trocando olhares, dando o que falar
Sedenta e meiga quando me encontrar
Cruzando mares só pra me abraçar
Cruel sem dor, seja quem for
Essa pessoa vai me condenar
Vai me prender, me investigar
Me confiscar pro amor
Interrogar de amor
Me confinar no amor
Alimentar de amor
Meu alvará de amor
Quando então quiser me libertar

Que liberdade?
Faz minha vontade
E deixa como está

Jorge Aragão

3.6.05

sexta-feira é dia de rumar...

...ao sul, com sol e sal.

Até já!

2.6.05

EU VOU!

sometimes you can't make it on your own

quando os muros vêm abaixo
quando as palavras deixam de ser difíceis
quando a vergonha não faz sentido
é tão simples, e tão bom.

1.6.05

:)

Porque hoje é dia da criança, fiz gelado de morango e calcei uns sapatos às riscas cor-de-laranja.
Por cá, deixo-vos a imagem que tem povoado o meu ecrã.


Robert Doisneau

short story with no happy ending

Trocámos mensagens.
Trocámos telefonemas.
Trocámos olhares.
Trocámos o dia pela noite.
Trocámos conversas.
Trocámos passeios.
Trocámos jantares.
Trocámos os corpos.
Trocámos viagens.
Trocámos receios.
Trocámos projectos.
Trocámos gritos, medos e anseios.
Sem querer, até trocámos o amor.