vício
Admitindo toda e qualquer liberdade interpretativa, confesso: este senhor é muito bom, mesmo muito bom...
Vermelho-negro num frasco de vidro com rolha de cortiça, guardado no armário ferrugento da casa de banho. Poção-mágica? Veneno sem i? Planeta? Frente e verso em linhas descosidas.
Admitindo toda e qualquer liberdade interpretativa, confesso: este senhor é muito bom, mesmo muito bom...
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11:10 a.m.
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11:21 p.m.
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11:58 p.m.
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11:42 p.m.
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Entre as glosas do Vítor Espadinha e o exercício desumano que deve ser escrever uma autobiografia venha o diabo e escolha.
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1:27 p.m.
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2:19 p.m.
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Perdidos para sempre os campos de tulipas, talvez um malmequer de beira de estrada, desesperado entre o querer ser visto e o pânico de ser colhido. Talvez.
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7:02 p.m.
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Passou-lhe o frio, o cansaço e o sono.
Desde aquela tarde começou a ter insónias, nasceu-lhe uma mão cheia de cabelos brancos e nunca mais saiu de casa sem levar consigo os comprimidos para as dores de cabeça.
Havia dias que se interrogava se teria valido a pena, outros em que se limitava a rogar pragas silenciosas à vida.
Nos intervalos disto tudo, arranjava os pés às madames de Queluz de Baixo com um sorriso seráfico. Quando o mês era bom comprava mais um cd do Julio Iglesias, que a colecção de vinis tinha de levar um apetudeite.
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12:31 a.m.
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12:25 a.m.
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11:55 p.m.
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6:46 p.m.
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Porque estás mesmo aqui ao lado... e estás tão longe (um problema de sempre...)
Porque te fazes presente com mimos e gestos que só tu consegues que caibam dentro de um envelope.
Porque sonhas e danças e flutuas num mundo muito teu, num mundo weeeeeeeeeeeeee!
Porque tenho saudades tuas.
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10:22 a.m.
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12:33 p.m.
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Se quiseres fazer azul,
pega num pedaço de céu e mete-o numa panela grande,
que possas levar ao lume do horizonte;
depois mexe o azul com um resto de vermelho da madrugada,
até que ele se desfaça;
despeja tudo num bacio bem limpo,
para que nada reste das impurezas da tarde.
Por fim, peneira um resto de ouro da areia do meio-dia,
até que a cor pegue ao fundo de metal.
Se quiseres, para que as cores se não desprendam com o tempo,
deita no líquido um caroço de pêssego queimado.
Vê-lo-ás desfazer-se, sem deixar sinais de que alguma vez ali o puseste;
e nem o negro da cinza deixará um resto de ocre na superfície dourada.
Podes, então,
levantar a cor até à altura dos olhos,
e compará-la com o azul autêntico.
Ambas as cores te parecerão semelhantes,
sem que possas distinguir entre uma e outra.
Assim o fiz - eu, Abraão ben Judá Ibn Haim,
iluminador de Loulé - e deixei a receita a quem quiser,
algum dia, imitar o céu.
Nuno Júdice
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10:46 p.m.
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