28.1.07

there she goes

Não resisti. Isto sou eu com treze anos. Isto sou eu cheia de medos e paixonetas e amizades até ao fim do mundo e mais além. Isto sou eu de blusão Mustang e camisinha xadrez. Isto sou eu todos os dias antes de ir para o liceu, com a mãe a ameaçar que me tirava o leitor de cassetes e eu certa de que se não ouvisse esta música antes de sair de casa o dia não me ia correr bem...

24.1.07

referendo

Ontem foi noite de primeiro debate... vá, sessão de esclarecimento. Talvez fossemos as únicas indecisas na sala (dou-te razão!) e por isso mesmo fez-me bem ouvir. A pergunta de dia 11 não está bem formulada, as respostas para o eterno 'e depois' não existem, e eu, que continuo a não gostar de gente panfletária, só me convenço pela serenidade.

12.1.07

o primeiro conto

Procurou a caneta preta em cima da secretária e desencantou-a no fundo da carteira, já com pouca tinta, mas com o vício de mão que só uma caneta com meses de uso consegue ter. Pequenina e firme no traçado grosso, como que a disfarçar as dúvidas de quem escreve.
Rabiscou os costumeiros quadrados e figurinhas geométricas no canto da folha branca e sorriu. Assim só. Sem mais nada. Sorriu por estar viva. Por estar sol. Por ter os olhos abertos e gostar de marcar datas no calendário.

9.1.07

2007

É ímpar mas não me mete medo.
Talvez me assuste um bocadinho, como tudo o que é novo.
Os últimos dias passaram-se entre não saber bem se me sinto serena ou apática.
Aposto-me no futuro do dia e numa promessa única: mudar. Por dentro e por fora.
Talvez seja esta a hora.
Confio.

25.12.06

HISTÓRIA ANTIGA


Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.


Miguel Torga

14.12.06

winter statement or a copy paste plagiarism while watching girls night... sponsored by baileys

' I refuse to settle for anything less than butterflies'

3.12.06

película aderente

Só precisas de ser tu para me arrancares um sorriso.
O resto é invólucro à prova de nada.

19.11.06

laços

Repito a data: 19 de Novembro de 2006. O dia em que o abraço apertado se adiou umas semanas. O dia chuvoso em que um telefonema me deixou a sorrir e a sonhar com os vossos sorrisos.

7.11.06

A cor dos dias

Vê-se de dentro para fora. Chega mansa, silenciosa e nem sempre acompanha os tons do céu. Hoje não é um dia arco-íris. É dia de trancar em mim a música agarrada às últimas gotas de azul. De sonhar luz e estar aí contigo.
A cor dos meus dias, ainda que perceba de harmonias e desvaneça apenas quando a distância não deixa ver claro, será eternamente indefinida.
Sem medos e sem vergonhas.


22.10.06

al dente

Deixou-se engolir pelo prato-mais-olhos-do-que-barriga enquanto olhava pela janela e pensava que ou os domingos ali eram tão cinzentos como os outros dias, ou estava a ter sérias dificuldades em manter este ódio visceral ao primeiro dia da semana.
Rodou o garfo devagar e deixou cair os olhos, em jeito de azeitonas pretas a enfeitar o queijo parmesão.
No fim, resolveu que a metáfora do dia era encarar a vida como uma bolonhesa.

11.10.06

lugar comum:

Antes chuva lá fora do que chuva cá dentro.

(Desaguar tornou-se um exercício tão difícil!)

30.9.06

promessa

Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.

Eugénio de Andrade


21.9.06

verbo ter

1. Tenho medo da solidão ainda que precise muito de estar sozinha.
2. Tenho cócegas no corpo todo... mas nego sempre.
3. Tenho manias de filha única.
4. Tenho vontade de ser abraçada umas 10 vezes ao dia.
5. Tenho um sentido de humor peculiar.
6. Tenho sempre saudades de alguma coisa.

a menina da Irlanda responde ao desafio do lado de cá do frasco, que é onde estas coisas se guardam!

16.9.06

visões

Mar e magnólias no caminho de todos os dias.

9.9.06

elegia

São oito e meia da manhã e está frio. Os meus pés sabem de cor o caminho. O coração ainda não.
A costumeira lágrima facil. Olhar à volta e sentir que o novo se entranha, agarra-se à pele que traz vestidas outras roupagens.
Ouço Sigur Rós. Tenho saudades. Tenho medo. Tenho tanto que fazer!
As tuas palavras no abraço apertado. Encontrar-me... Encontrar-me... Encontrar-me...

3.9.06

São dois braços, são dois braços... lá diz a canção repleta de mimos e surpresas e sorrisos tais que assim é muito mais difícil dizer adeus!
Ainda que seja até já ou até logo, ainda que vos tenha por perto no saber-vos comigo...
OBRIGADA por tanto (a)Mar!

31.8.06

de amor se faz amor
de nada mais resulta amor
que amor se faz de amor
de nada mais.
resulta amor de amor
que amor se faz de nada.
mais resulta que amor de amor
se faz amor de nada.
mais.

Ernesto de Melo e Castro

25.8.06

18.8.06

presente

Tenho mais um dia e mais um ano de vida. Tenho o coração cheio. Tenho vontade de partir. Tenho a certeza de que vou ficar.

Deixo a porta aberta...

13.8.06

midsummer's day nostalgia

"No fundo, se o Principezinho se deixou morder pela serpente é porque se sabia destinado a um jardim de estrelas."

in Pública 13.08.06